quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Transparente

Controlas-me por impulsos
devoras-me por princípios
culpas-me de ser o inocente
o projecto acabado que não se ergue do chão
que balança abandonado
no fundo vazio de uma garrafa
não tenho opção
não tenho testemunha
não te consigo assustar
não me deixas outras opções
tenho de usar o coração
e fazer as minhas armas
construídas a partir das minhas imperfeições
estou envergonhado agora
e isso é tudo o que me resta
estou sozinho agora
e o meu medo é nu
estou vazio agora
e morto por dentro.

Não me deixas outra opção agora
senão confrontar-te
construir-te
ainda me resta um braço para lutar contigo
e apagar-te
é a suposta ironia
de não haver outra opção
o meu espírito é cru
o meu medo é nu
e estou morto por dentro.

sábado, 15 de novembro de 2008

Auto de Fé

Eu acredito, para lá de toda a nossa inocência
a que advém as nossas competências, eu...
Acredito!!!
O espírito e a mente, o corpo meio dormente
quando o sol e a chuva perfuram cada poro nosso
com as nossas alucinações.
Se só a vida fosse realidade
e todos nós seríamos incompatíveis;
intoleráveis; impacientes...
quando a paciência consegue ser o maior trunfo humano.
Se só a vida fosse vivida,
não seria a morte um sonho....
Cheio de penas pretas.
O transe, o êxtase são inatos ao homem
que contudo os desconhece.
E ai se ressalva a nossa paciente busca, a nossa missão
de encontrar-mos o nosso xamã.
As crenças levam-nos a actos incríveis...
A vontade move-nos, dentro de cada mundo
Paralelo ao nosso Universo!...

O amor como um auto de fé
Depositámos a maior das esperanças
num palpitar interminável do coração
no brilho de um olhar distante
agarrando o calor da nossa união.

Mas não basta ter Fé.

Palavra d'

Palavras são pessoas
que se passeiam na nossa mente
na nossa boca
no calor da tua língua
no emergir de cada sexo
acto de um reflexo...
... claro, preciso e comum
o gosto de cada palavra
e o som de cada letra
que passa de boca em boca
da minha para a tua boca!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Desassossego

Tremo pelas costas
e suspiro desassossegado...
Não são os degraus que me guiam
mas os passos que conto... na escuridão,
no silêncio da imagem
na penumbra da imaginação.
Carimbo um pé por cada traço
e os meus lábios em cada beijo,
as memórias escondem-se,
e o que fica...
para além das formas desenhadas nos meus dedos
Cheiro e humidade.
Um tremor pelas costas
E um arrepio desassossegado.