quarta-feira, 23 de julho de 2008

1999

A alma do poeta é doente!
Tudo o que vem e vai não volta
Tudo o que ele escreve é revolta
Nada do que vê é como sente.
Introspecção, Auto-Mutilamento, Sangue por paixão
O álcool que bebe é cansaço
A forca que admira é a sorte
Mas é dos olhos o orgulho, ser devasso
E pelos dogmas, ser a morte
Plágios de vida, adágios nas tuas linhas, Dói-me (Côr-Acção)
A alma do poeta é doente!
Tudo o que não sai vai à volta
Tudo o que ele quer está à solta
Nada do que faz é como tente
Negação, Altruísta, Sangue pela mão
A sua droga é mais um passo, e cada passo mais um choque
Ser mero preto de remo erguido
Ser destemido sem ser forte
Vida não lida, Linhas perdidas, Dói-me
E é essa (a-dôr-acção).

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Desespero...

Toquei-lhe com um dedo apenas
e a pele levantou-se eriçada
como se de um choque eléctrico
ficamos os dois numa histeria condensada
mas estava muito calor
e estávamos suados
estávamos sujos e molhados.
O erotismo não se esgotou com o odor que se fazia sentir
em cada poro do nosso corpo
era esse mesmo cheiro que ambicionávamos
e esfregamo-nos violentamente um no outro
trocando cada perfume malvado
em cada momento que juramos sagrado.

domingo, 20 de julho de 2008

des(p)ertar

Silêncio na escuridão
Todos os monstros cantam
Para lá destas trevas
Ritos e exorcismos de sombras
Ecos de memórias mais antigas que o tempo.
Tudo seduz no poder da imaginação
E criam-se laços e comunhões
Medo de não conseguir deixar a sombra
Fraquejamos a cada momento em que procuramos um raio de luz
E morremos um pouco mais sempre que tentámos
Uma morte que vem lenta e indolor
Ainda assim inglória
Tememos enfrentar estas tradições
Mas se fores a ver
Se tiveres essa noção
Tu já estás morto! À muito
Muito tempo atrás...
No mesmo dia que berraste para nascer.

Sentidos

Eu Acredito, fé e devoção
Eu acredito, na natureza das coisas
Na côr, no movimento, em interacção.
Tenho fé no que vejo e sinto
Na grandeza da montanha
Na luz e calor do sol
Na instabilidade do mar
Nas infindáveis cores das plantas
Dos animais
Nas formas das nuvens do fumo
Na transpiração, nos cheiros
E nos sons, acredito em tudo
O que se reflecte nestes 5 sentidos
Eu acredito no sabor, no amor
Eu acredito que a fé, a religião, é do Homem
E eu sou menos Homem
Menos do que penso
Menos do que quero
Acredito em ti vida, côr, cheiro
E em ti lágrima
Gota salgada.