quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

o céu está a uma facada de distância

Tornei-me um dos outros,
e o sangue levita dos meus braços
turva-me os olhos.


Nasci de raiva...
e toda a noite te persegui!
Conto os dias para te encontrar
e tudo o que estava para trás
é o meu nome que te leva até casa
de algum modo este rio de sangue marca
um rasgo na nossa mão atada
e num outro dia
uma corajosa separação.
Todos os dias afogámos
aquela prova viva que nos compromete
e nos arrasta para a decência.
Estamos protegidos agora
em quem confias?
Tu que te ergues
desse lago de sangue
placenta chorada no meio do nada.
Tens tudo... em quem confias agora?

Jurei matar...
e construir
tijolo por tijolo
nesta noite que se incendeia
e se eterniza no calor das chamas
o teu sarcófago.

o céu está a uma facada de distância
e se tu a visses
enfeitada com aqueles olhos de serpente
cravando os dentes na carne fresca da madrugada
o céu está a uma facada de distância

nessa noite chorará um rio
que apagará todo o fogo instalado
e das secreções fumacentas
concebido por uma última facada
estavas tu.

não existe luz nas profundezas do teu corpo
onde eu te posso alcançar
sempre tentei sarar as feridas
mas a mentira magoa mais que a verdade
e lacera-nos as entranhas com sal

o céu está a uma facada de distância
o céu está a uma facada de distância...