quinta-feira, 29 de maio de 2008

Semente


Houve tudo acerca de nada
Ouve tudo o que te dizem acerca desses dias que ninguém quer ver passar...
Tudo acerca do que ninguém quer saber
Tu acreditas em ti
No que os teus olhos abençoam
No que os teus passos seguem
Acerca do nada que sentes
Em ser mais que valioso.
Tenta ser tudo do que foges
Romantiza o que perdes
Deixa-te perder pelo que vives
Racionaliza a tua vaidade
Ignorantemente, abre os braços debaixo desta chuva
E entrega-te ao que não sabes
Não cheiras
Não lembras
Sentes....
E agradeces! Desvairado
Quem guiará a minha cicatriz?
Caminha-se olhos rectos ao chão
Tudo o que sinto na língua
Sal, ar e terra
Progressão!!!
Sacudo todos os sonhos
E tanto peso nestes ombros
É tempo agora
Dêem-me as minhas asas!!!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

to(na)(ta)lidade natural

Deslizo num poema fulminante
Arrasto comigo as sombras de um errante
Sons e repetições, fazem parte desta história
Que ecoa como um sussurro transpirante
Pensamentos esquecidos...
e tudo o que julgava certo desaparece
Olho o céu e observo esta imensa chuva a cair
Percorrendo o curto espaço que nos separa do topo
desenfreadamente.

Pergunto-me
Conseguirei parar o tempo e contar todas estas pingas apaixonadas?
Penso que não...
Cabisbaixo encontro as verdades que procuro
Brilhando no escuro da calçada
Reluzindo por entre a amalgama exótica
De sombras e do lixo.

Por vezes descobrimos
Que não é andando em frente que avançamos
Que não é cobrindo as costas que nos protegemos
Que não é olhando o céu que sonhamos
Que tão pouco precisamos de gritar o que sentimos
Por vezes descobrimos
Que quando nos entregamos
Apaixonamo-nos pelo momento que recriamos
Fomos programados para isso...
Para selvaticamente amar-mos
Para heroicamente sobrevivermos
Para tão humildemente padecermos

Morremos como vivemos
De olhos abertos
Sem conseguir ver quase nada...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Austromancia

Adorava errar e beber todo o desengano
Atrair uma adivinhação mais leve e pronunciada
Soletrar um momento mais ténue
Um desassossego menos preocupante
E deixar-me deslizar nesta valsa austral
Rodopiando e gracejando por onde a memória não existe.

Adorava saber e verter
Adivinhar uma atracção menos ciumenta
Permitir que o vento e o sal
Não queimem os lábios sadios destes tripulantes
Preocupando-me o desassossego
Ao deixar-me adormecer neste inverno austral
No silencio, no sabor agreste das cores já quase mortas
onde a memória persiste.


segunda-feira, 12 de maio de 2008

Brincamos aos Deuses


Colóquio? Mansões em represálias.
No Outono, as árvores despem-se da esperança
Que emanavam outrora.
O que falámos... de tácticas, técnicas... sonhos!
Estigmatismos e ambições obsessivas
Que lideram a colapsos sociais.
Brincamos aos Deuses!?
Protagonismo profundo em catarse.
Fossemos adorar alguém, seriamos nós próprios.
O conceito haveria de se tornar obsoleto
E a razão num vazio confortável.
Era tudo tão mais simples, mais fluido...
Como a inocência cruel de uma criança.
A T.V. absorve isso... mas algo que ouvi...
As pessoas hão-de voltar a ler!!!
E antes voltar a ver com os seus próprios olhos
Sem transmissões.
A grande praga do nosso tempo!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Obedece o teu caminho

Somos feitos por defeito,
Pelo nosso próprio efeito de educação,
Pelas raízes das necessidades inventadas,
Que substituimos pelo calor do coração.
É triste saber e sentir que assim o somos...
Quando podiamos ser enormes e tão belos.


sábado, 3 de maio de 2008

Anima & Viscus


Entro a todo gás
Estou frenético e inquieto,
E esta temperatura não é febril
É emoção!!!
Milhares de vozes e dezenas de línguas,
Mas todos comunicam universalmente...
Dançam & Sorriem...
O ritmo cardíaco baixa,
quando me deixam sem som
Estava quase a levitar, em transe,
Quando de repente uma onda me atira para o chão de areia
Abro os olhos...
Estou só e não quero acreditar
Frequência cardíaca
Temperatura, abaixo de 0º
Estou morto... e nem sei porquê?
O que mais nos assusta é o nosso tremendo poder,
de forma alguma serão as nossas fraquezas!
Todos somos luz, irradiando talento e beleza,
permitindo-nos brilhar, permitimos também que irradiem à nossa volta.

É este o lema e o fácil desafio... o desprendimento de tudo,
De tudo o que nos parece tão óbvio, evidente e necessário,
Mas que não precisamos...
Turva-nos a visão
Enfurece-nos a alma
E corta-nos os sentidos.
Somos Completos, e só mais com os outros
E com tudo o que é vida,
O que se move, e o que invariavelmente
Morre um dia.
Não somos mágicos, somos apenas vida
Pura & Suave & Perfeita
Rodeada de imperfeições
Atraída por emoções.
Um só
Uma só massa de energia
Um faminto poema eléctrico
Imagem & Reflexo
Alma Amor & Sexo