sexta-feira, 23 de maio de 2008

to(na)(ta)lidade natural

Deslizo num poema fulminante
Arrasto comigo as sombras de um errante
Sons e repetições, fazem parte desta história
Que ecoa como um sussurro transpirante
Pensamentos esquecidos...
e tudo o que julgava certo desaparece
Olho o céu e observo esta imensa chuva a cair
Percorrendo o curto espaço que nos separa do topo
desenfreadamente.

Pergunto-me
Conseguirei parar o tempo e contar todas estas pingas apaixonadas?
Penso que não...
Cabisbaixo encontro as verdades que procuro
Brilhando no escuro da calçada
Reluzindo por entre a amalgama exótica
De sombras e do lixo.

Por vezes descobrimos
Que não é andando em frente que avançamos
Que não é cobrindo as costas que nos protegemos
Que não é olhando o céu que sonhamos
Que tão pouco precisamos de gritar o que sentimos
Por vezes descobrimos
Que quando nos entregamos
Apaixonamo-nos pelo momento que recriamos
Fomos programados para isso...
Para selvaticamente amar-mos
Para heroicamente sobrevivermos
Para tão humildemente padecermos

Morremos como vivemos
De olhos abertos
Sem conseguir ver quase nada...

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